O avanço das tecnologias da informação e comunicação (TICs), que se iniciou nos anos 90 e tem se acelerado vertiginosamente desde então, provocou e está provocando transformações profundas em todas as esferas sociais. Especialmente no sistema produtivo, o reflexo do progresso tecnológico pode ser percebido na expansão do mercado de trabalho e, consequentemente, na demanda por ampliação da oferta de ensino para a formação de quadros profissionais qualificados e continuamente atualizados.
O impacto dessas mudanças sobre o sistema educacional é enorme, uma vez que seu papel na chamada “sociedade tecnológica” é crucial. De fato, é unicamente por meio da educação que os indivíduos terão condições de compreender e de se situar na sociedade contemporânea, como cidadãos partícipes e responsáveis. Diante dessa nova configuração, faz-se urgente desenvolver outras formas de organização da educação em que, a partir da compreensão das tecnologias como elementos mediadores para a construção de uma nova representação da sociedade, incluam-se a posse, o domínio e a utilização das TICs em benefício dos seres humanos.
Nesse lastro, percebe-se nitidamente o uso progressivo e diversificado das novas tecnologias nos processos educacionais, o que vem resultando, principalmente, no alargamento da oferta da modalidade de educação a distância para diferentes segmentos da população adulta. Ao mesmo tempo, governos e instituições de ensino buscam a adoção de políticas e estratégias, visando à maior abertura para o acesso e para a melhoria da qualidade da educação, seja ela presencial ou a distância.
Especificamente no ensino superior, os progressos recentes das tecnologias da informação e comunicação abrem perspectivas inusitadas para o desenvolvimento da educação superior a distância, com a criação das chamadas universidades virtuais e possibilitando modelos que mesclam a oferta de cursos total ou parcialmente a distância.
Inserida nesse contexto, encontra-se a UnB que, embora tenha seus estatutos assentados na modalidade presencial, tem uma história de pioneirismo em iniciativas de educação a distância no ensino superior brasileiro. O seu projeto original já preconizava, em 1961, o emprego das tecnologias na educação de forma democrática e criativa. E, em consonância com essas diretrizes, em 1979, a instituição assinou um convênio com a Open University, da Inglaterra, para ofertar vários cursos de extensão na modalidade a distância. O convênio se estendeu até 1985, mas, ao longo desses trinta anos, a universidade vem incorporando a educação a distância à sua estrutura pedagógica, seja utilizando as tecnologias para apoiar a educação presencial, seja para a oferta de cursos de graduação, pós-graduação e extensão na modalidade a distância.
Entretanto, apenas a partir de parcerias com o Ministério da Educação é que a UnB passa, efetivamente, a atender de forma ampliada e regular as demandas de formação superior a distância. Entre essas parcerias, que se iniciaram nos anos de 2005 e 2006, encontra-se o Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB). A UAB é um programa de grande vulto, criado pelo Ministério da Educação, em 2005, que tem como base a oferta de cursos e programas de formação superior, executados na modalidade a distância por instituições da rede pública de ensino superior, com o apoio de Polos presenciais mantidos pelos municípios ou governos estaduais.
Clique na imagem para ir ao portal da UAB do Ministério da Educação: 
O Programa UAB, na UnB, iniciou com a oferta do curso de Administração pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade, Ciência da Informação e Documentação (FACE), em um projeto intitulado Piloto, que previa o convênio com o Banco do Brasil. Este curso possui oferta única, teve vestibular em 2006, contando com aproximadamente 850 estudantes matriculados. No Projeto Piloto da UAB, no curso de Administração a distância, a UnB participou do consórcio nacional abrindo vagas para a região Centro-Oeste e Norte.
No primeiro edital da UAB, lançado pelo MEC, em 2005, a UnB concorreu, ao lado de outras instituições, apresentando 11 projetos de cursos de graduação, pós-graduação (lato sensu) e extensão. No nível de graduação, foram aprovados seis cursos de licenciatura a distância, distribuídos em 16 Polos, em seis estados brasileiros. O primeiro vestibular para ingresso nesses cursos ocorreu em 2007 e, no total, foram ofertadas 1.048 vagas. O segundo vestibular foi realizado em 2009, com a inclusão de mais dois cursos de graduação – Biologia e Geografia –, novos Polos conveniados e totalizando 1450 vagas ofertadas.
Atualmente, além dos oito cursos de graduação a distância, são oferecidos três cursos de especialização e três cursos regulares de extensão (além de outros oferecidos de forma não regular pelos institutos e faculdades). Os cursos atendem a estudantes em nove estados, distribuídos em quatro regiões brasileiras, totalizando 25 Polos (ou seja, são 25 municípios atendidos).
Na graduação, a UAB/UnB oferece os cursos de licenciatura em Artes Visuais, Biologia, Educação Física, Geografia, Letras/Português, Música, Pedagogia e Teatro. Na pós-graduação, são oferecidos os cursos de Especialização em Educação Continuada e a Distância, Especialização em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão Escolar e Especialização em Educação de Jovens e Adultos na Diversidade e Cidadania. Os cursos de extensão oferecidos com regularidade são: Curso de formação de professores para atuação na UAB; Construção de Redes Colaborativas de Aprendizagem: O papel do tutor/inicial; e Construção de Redes Colaborativas de Aprendizagem: O papel do tutor/continuado.




